A arte não precisa ser útil

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(em inglês)
A arte "não precisa ser útil", alerta publicação destinada a orientar a avaliação de organizações artísticas

Publicamos mais uma vez no blog conteúdo traduzido do site britânico Arts Professional, de autoria de Christy Romer. Desta vez o tema é avaliação de organizações culturais.

Um novo recurso está disponível para orientar as organizações artísticas através da auto-avaliação, seja as que adotaram esta prática por iniciativa própria, seja as que foram solicitadas a fazê-lo por um patrocinador.

"Não se deve se esperar que a arte seja útil", e as organizações artísticas devem evitar basear suas avaliações "exclusivamente em dados quantitativos", recomendou um novo relatório on-line.

Publicado pela rede europeia IETM - International Network for Contemporary Performing Arts, o relatório usa recursos on-line e exemplos do mundo real para orientar as organizações artísticas através do tipo de perguntas e resultados em que devem se concentrar para alcançar seus objetivos de avaliação.

"Este conjunto de ferramentas tem como objetivo orientá-lo através das principais etapas da avaliação, se você escolheu fazê-lo sozinho ou se um financiador pede que você o faça", escreve a autora do relatório, Vassilka Shishkova. O objetivo é ajudar os profissionais das artes a conceber, realizar e usar suas avaliações, e controlar o processo, identificando "riscos e armadilhas" ao longo do caminho. 

"Auto-ajuda" 

O relatório, "Look I'm Priceless: Handbook on how to assess your artistic organisation"[em inglês], sugere decidir sobre um foco de avaliação - por exemplo, em que medida a atividade a ser avaliada incentiva a participação - e oferece críticas sobre os objetivos comumente esperados da atividade criativa.

"É importante lembrar que estamos falando de arte e não de projetos sociais ou agrícolas", acrescenta Shishkova. "Apesar de todas as evidências dos impactos positivos da arte nos campos sociais ou econômicos, a arte não deve ser útil. Não se supõe que seja um meio para um fim. Não é um substituto ou um duplo para o bem-estar, programas sociais ou cuidados de saúde. Deve ser livre e não ter outros objetivos além dos artísticos ".

O livro prossegue com conselhos sobre:
  • Planejando uma avaliação
  • Como fazer perguntas (a quem perguntar e como evitar o viés)
  • Como definir uma amostra de forma que evite ameaças à validade
  • Como escrever um relatório de avaliação
  • Técnicas para avaliações quantitativas e qualitativas
Recursos on-line e estudos de caso de organizações de artes internacionais são fornecidos como suporte, incluindo o Walk the Plank, baseado no Reino Unido.

Shishkova continua: "Muitos de vocês já adotaram determinados procedimentos de avaliação, principalmente seguindo as diretrizes de seus órgãos de financiamento ... este kit de ferramentas pode levá-lo um passo adiante, e talvez equipar você para iniciar uma conversa com patrocinadores sobre como abordar a avaliação de forma diferente."

Leia a matéria original [em inglês] no site Arts Professional.