A Cultura no novo Programa de Metas do Município

Foto: Josiele Silva (CMPA)

Prefeito apresenta ao Legislativo 58 metas prioritárias do seu mandato, das quais três referem-se à cultura.


O Programa de Metas do Poder Executivo municipal foi apresentado na última quinta-feira, 30 de março, à Câmara de Vereadores. Ao fazer a entrega do documento ao Presidente da Câmara, Vereador Cássio Trogildo, o Prefeito Nelson Marchezan Jr. destacou a transparência na gestão, que pretende aprofundar através do Prometas.

Para o Prefeito, que liderou o processo de criação do Programa, a gestão que ora inicia compromete-se com metas atingíveis e que mudarão a vida do cidadão que vive em Porto Alegre. “Trabalhamos com responsabilidade e dentro de uma realidade de metas entregáveis. Estabelecemos normas de acordo com aquilo que efetivamente somos capazes de atingir... Tudo o que apresentamos à sociedade em 2016 consta no Prometas”, acrescentou. O secretário de Gestão e Planejamento, José Alfredo Parode, que coordenou a elaboração do Programa, afirmou que o documento prevê a participação da sociedade e do terceiro setor. “A sociedade é parte de todo o processo e poderá acompanhar de perto o trabalho do poder público municipal. Além de contribuir, os cidadãos também poderão fiscalizar nossa atuação e saber como são aplicados os recursos públicos”, disse.

O que é o Prometas?

O primeiro Prometas apresentado oficialmente à Câmara pelo Executivo tem três eixos (Desenvolvimento social; Infraestrutura, economia, serviços e sustentabilidade; e Gestão e finanças), 16 objetivos estratégicos e 58 metas. Seguindo o que determina a legislação municipal, também foram entregues aos vereadores as Demonstrações Contábeis 2016 e o Relatório de Atividades de 2016.

O Prometas foi incluído na Lei Orgânica Municipal pelo Legislativo em 2015, definindo que todo prefeito eleito deve apresentar, até noventa dias depois da posse, um programa contendo as prioridades da gestão.
Nele constam as prioridades a serem atendidas, além de indicadores de desempenho e metas quantitativas e qualitativas para cada um dos eixos estabelecidos. A partir de agora, o Prefeito tem trinta dias para debater o conteúdo com a população, através de audiências públicas. O programa também prevê a prestação de contas anual, na qual será divulgado o andamento das propostas assumidas com a cidade.

E a cultura, onde fica?

A cultura aparece no Eixo 1. DESENVOLVIMENTO SOCIAL, o qual contempla nove objetivos estratégicos e 34 metas. Seu objetivo geral é "buscar uma melhor qualidade de vida para a população de Porto Alegre, com metas que assegurem a inclusão de todos os cidadãos, especialmente em áreas sensíveis como a educação, saúde, cultura e segurança."

As três metas relacionadas à cultura alinham-se com o Objetivo Estratégico de "promover o acesso à cultura para a população, especialmente a crianças em situações de vulnerabilidade social, consolidando uma programação focada no longo prazo e revitalizando os bens e patrimônios culturais", e são as seguintes:

META 28: Oportunizar acesso à cultura para 100% dos habitantes de todas as regiões de alta e média vulnerabilidade social.
(Prioridade para 19 bairros com Índice de Vulnerabilidade Social-IVS mais elevados: Agronomia, Arquipélago, Belém Novo, Belém Velho, Bom Jesus, Cascata, Chapéu do Sol, Cel. Aparício Borges, Farrapos, Lageado, Lami, Lomba do Pinheiro, Mário Quintana, Restinga, Santa Tereza, São José, Sarandi, Serraria e Vila João Pessoa.)

META 29: Garantir que 15% da capacidade média de público dos espetáculos nos espaços municipais seja disponibilizada gratuitamente para pessoas de baixa renda.

META 34: Promover a inclusão social por meio de 2,8 milhões de atendimentos nos equipamentos e eventos esportivos, recreativos e de lazer.
(Número refere-se à soma dos atendimentos em quatro anos do atual mandato. Para referência, 1,2 milhão de atendimentos foram realizados somando-se os anos de 2015 e 2016. Consideram-se equipamentos os centros comunitários, ginásios, unidades recreativas, entre outros)

O Plano não traz o detalhamento dessas metas e indicadores, o que será apresentado posteriormente.

Texto adaptado do Boletim Informativo da Prefeitura e Site da Câmara de Vereadores.

Nova publicação aborda o valor econômico dos museus na Europa

Em nova publicação, a Rede Europeia de Organizações Museais (NEMO) reúne artigos que discutem os efeitos de externalidade, os modelos de negócios inovadores e as estratégias de cooperação para os museus e suas economias.

Como são avaliadas as instituições e atividades culturais? Muitas abordagens, critérios e medidas diferentes - quantitativos e qualitativos - têm evoluído ao longo dos anos. Um deles é o valor econômico. O valor econômico dos museus foi o tema da Conferência Anual da NEMO, a Rede de Organizações de Museus Europeus, de 2016, e é o foco da sua nova publicação Money Matters: The Economic Value of Museums.

Os museus estão integrados no mundo econômico, mas vêm com determinadas e únicas especificidades e camadas. Eles são uma parte da sociedade de lazer, mas não pode ser comparado aos parques temáticos. Têm um impacto no turismo, mas não são simplesmente instrumentos de marketing para uma região ou uma cidade. Eles criam trabalho e riqueza, mas não da mesma forma que as empresas privadas.

Money Matters: The Economic Value of Museums parte desse ponto de vista para fornecer perspectivas ao setor cultural e econômico sobre a mensuração do valor, a rentabilidade, as parcerias e a cooperação, as estratégias financeiras e os modelos de negócios e os vários efeitos de externalidade.

A NEMO, Rede de Organizações Europeias de Museus, acredita e trabalha para demonstrar que os museus têm um valor económico importante - para além do valor das suas coleções (e da sua acessibilidade), além do seu valor social (o impacto dos museus sobre a coesão social) e educativo (como os museus inspiram, envolvem e explicam o mundo). Os exemplos aqui apresentados de diferentes países europeus mostram os desafios e oportunidades compartilhadas e servem como importantes lembretes do papel significativo que os museus desempenham no processo de diversidade cultural e da livre troca de conhecimentos, inspirando assim a criatividade e a inovação. Para além das suas influências em vários níveis, isto é, no setor do turismo ou no planejamento urbano e regional.

Texto traduzido e adaptado do original em inglês na página da Nemo pelo Observatório da Cultura.

O Impacto Econômico da Música em Nova York

Novo relatório estima que a indústria musical de Nova York responde por 60 mil empregos, US$ 5 bilhões em salários e gera US$ 21 bilhões para a economia.


O Prefeito Bill de Blasio e a Comissária do Gabinete Municipal para Mídia e Entretenimento (Mayor’s Office of Media and Entertainment, ou MOME), Julie Menin anunciaram hoje os resultados do primeiro estudo de impacto econômico da indústria musical da cidade de Nova York. O estudo, realizado pelo Boston Consulting Group, descobriu que o setor gera quase 60 mil empregos, US$ 5 bilhões em salários e US$ 21 bilhões para o PIB da cidade. O setor está crescendo mais rápido que o restante da economia local: empregos e salários relacionados à música estão crescendo a taxas anuais de 4% e 7%, respectivamente, em comparação com 3% e 5% na economia da cidade em geral. O relatório posiciona Nova York como um dos maiores - se não o maior - ecossistema musical do mundo.

Quando o Prefeito Bill de Blasio nomeou Julie Menin Comissária do MOME, ele também expandiu o portfólio da agência para incluir música. Esta foi a primeira vez que uma agência da Cidade recebeu um mandato para apoiar e promover a indústria da música em Nova York. Um passo essencial para apoiar esta indústria é compreender plenamente suas dimensões, seu panorama, desafios e oportunidades. Com esta finalidade é que o MOME encomendou o presente estudo.

"A música é uma força inclusiva e um motor econômico desta cidade", disse o prefeito. "À medida que continuamos a gerar bons empregos para os nova-iorquinos, vemos que o talento bruto e a energia doméstica construíram uma poderosa indústria local. Vai continuar a crescer esse sucesso. "

"A indústria da música é uma parte vital da economia criativa da cidade e estamos muito satisfeitos por ser sua agência de apoio na cidade", disse Menin. "Este estudo inédito detalha a quantidade substancial de atividade econômica que os diversos ramos deste setor da indústria de entretenimento geram na cidade. O estudo reafirma ainda, de forma peremptória, o status de NYC como capital mundial da música. Devido à sua resiliência e criatividade, Nova York tem resistido às mudanças na indústria da música melhor do que outras cidades, mantendo-se no topo. Estamos ansiosos para aproveitar esse impulso e trabalhar com a indústria para ajudá-la a continuar a crescer e prosperar."

O segmento de música de massa (grandes casas de shows, transmissão digital, rádio, TV, lojas de varejo) está impulsionando o crescimento da indústria da música. Com empregos e salários crescendo a 5% e 12%, respectivamente, este segmento contribui com quase 50% de toda a produção econômica direta do setor.

O estudo descobriu que a cidade de Nova York é um centro de inovação e serviços de música digital. Com mais de 70 start-ups de música digital, Nova York tem duas vezes mais empresas de música digital do que San Francisco ou Los Angeles.

O estudo também revela que mais ingressos são vendidos para apresentações de música ao vivo em Nova York - 5,4 milhões em 2015 - do que em qualquer outra cidade do mundo. A análise sugere que, apesar dessas altas vendas de ingressos, o mercado ainda não está saturado: a cidade de Nova York poderia suportar outros locais de shows.

Outras conclusões

A indústria da música tem experimentado por toda parte transformações extremas nos últimos anos, devido às tecnologias digitais e à inovação, mas a indústria na cidade tem mostrado resiliência. Isso ocorre porque Nova York não abriga apenas uma gama diversificada de artistas talentosos, mas também oferece a vantagem da proximidade com centros de publicidade, mídia e finanças. Sinergias com essas indústrias ajudam a "ancorar" a indústria.

Este estudo define e detalha os quatro pilares que compõem o ecossistema da música de Nova York:
• As comunidades de artistas locais: são os artistas da cidade, pequenos espaços de shows, espaços de ensaio e escolas de música.
• O consumo de música de massa, que consiste nos principais teatros, concertos, festivais, grandes grupos de espectadores, streaming digital, transmissões de rádio e varejistas que vendem música gravada.
• O negócio global de gravações é a gama completa de gravadoras, editores de música, gerentes de talentos e promotores.
Infra-estrutura e serviços de apoio, que incluem estúdios de gravação, centros de tecnologia digital, serviços de contabilidade, advogados de entretenimento e indústrias relacionadas, como publicidade, mídia e finanças.

O relatório mede as contribuições desses quatro pilares para a economia de quatro formas: direta, indireta, induzida e acessória (quando associada ao turismo).
Impacto direto: os setores do núcleo da indústria fonográfica contribuem com 31.400 empregos, US$ 2,8 bilhões em salários e US $ 13,7 bilhões em produto econômico. O salário médio anual para a indústria de música direta foi de US$ 90 mil em 2015, contra US$ 85 mil em 2014.
Impacto indireto: por meio de transações com fornecedores e vendedores de música (como serviços profissionais, TI e telecomunicações), a indústria fonográfica da cidade de Nova York tem um impacto econômico indireto de aproximadamente 10,1 mil empregos, US$ 900 milhões em salários e US$ 3,4 bilhões em produto econômico.
Impacto induzido: Quando os trabalhadores empregados direta ou indiretamente pela indústria gastam seus salários em Nova York, eles apoiam cerca de 16,1 empregos, US$ 1 bilhão em salários e US$ 3,9 bilhões em produto econômico.
• As despesas de turismo atribuíveis unicamente à participação em eventos relacionados à música situam-se entre US$ 400 a US$ 500 milhões (NOTA: Este valor não foi contabilizado na cifra de produto econômico total do setor, de US$ 21 bilhões).

O relatório também detalha desafios e oportunidades para o MOME, bem como esboça alguns programas para apoiar o ecossistema musical local:
• As comunidades de artistas locais da cidade são mais vulneráveis ​​às tendências econômicas. Os locais menores são as incubadoras de talentos, e o relatório descobriu que mais de 20% desses locais fecharam nos últimos 15 anos. Isso representa um problema potencial para a manutenção de uma comunidade de artistas prósperos, e de NYC como o destino preferido para futuros artistas.
• Mesmo sendo líder mundial em vendas de ingressos neste segmento, a demanda sugere que o mercado de concertos e festivais ainda não atingiu um ponto de saturação e, como tal, há espaço para crescimento.

Leia o relatório completo Music in New York City.


Algumas opiniões do mundo da música sobre o novo estudo e a importância do MOME

"Este estudo demonstra como a música é vital para o ecossistema cultural e comercial de Nova York. Estamos muito satisfeitos por a cidade ter adicionado a comunidade musical de Nova York à carteira do MOME. Agora, a música tem um ouvido importante na Prefeitura." - Michele Anthony, vice-presidente executivo do Universal Music Group.

"A indústria musical dos Estados Unidos nasceu em Nova York e continua a ser central para a sua vida cultural e empresarial, um fato impressionantemente confirmado por este esclarecedor estudo. É importantíssimo que o MOME tenha decidido incluir a música em seu portfólio, o que aproximará toda a indústria daqueles que governam a cidade que todos nós amamos." - Craig Kallman, Presidente e CEO da Atlantic Records.

"Aplaudo Nova York e o MOME por terem a visão de encomendar este importante estudo. NYC é a capital da música do mundo e os benefícios para a economia local na forma de empregos, turismo e cultura são mais do que imensos. Através da MOME, a indústria finalmente tem um parceiro para colaborar a fim de que NYC possa atingir o potencial que apenas começa a perceber". - Mark Shulman, vice-presidente sênior da Bowery Presents/AEG Live NYC.

"Como o estudo reconhece, a indústria discográfica, e as gravadoras em particular, são parte integrante do futuro cultural e econômico de Nova York. Temos de torná-lo acessível para artistas e educadores de música viverem aqui. É vital que a cena musical de Nova York continue a prosperar, a motivar, a excitar e a permanecer como uma meca das artes, entre as mais enriquecedoras e influentes do mundo." - Daniel Glass, da Glassnote Music

"Este estudo vital do MOME estabelece o impacto maciço da música sobre a economia da nossa cidade", disse . A A2IM rende tributo ao MOME por adicionar a música ao seu portfólio e adotar um plano para reconhecer, apoiar e revitalizar a comunidade musical de Nova York." - Richard Burgess, CEO da A2IM (Associação Americana de Música Independente)

"Mais de 20% dos projetos de música bem sucedidos no Kickstarter são de Nova York e estamos muito animados com os dados deste estudo, demonstrando o impacto econômico da comunidade musical na cidade" - Molly Neuman, da Kickstarter.

"Ao gerarem uma economia cultural e turística de vários bilhões de dólares, é claro que os músicos não são apenas cruciais para a vitalidade cultural da cidade de Nova York, mas também para a vitalidade, diversidade e saúde de nossa economia global. Para Nova York manter sua posição como uma capital cultural, temos de continuar a trabalhar arduamente, garantindo que os nossos artistas recebam o apoio e os rendimentos necessários para alcançar, financeiramente e artisticamente, carreiras que lhes permitam viver, trabalhar e criar uma família aqui. - Tino Gagliardi, Presidente da Associação de Músicos da Grande Nova York.

"Depois de possuir locais de música ao vivo em NYC por mais de 20 anos, foi uma grande sensação ouvir que o premiado MOME agora ampliou seu portfólio para incluir música" - Peter Shapiro, Brooklyn Bowl.

"Este estudo é um grande exemplo de governo trabalhando para apoiar e melhorar o trabalho de seus cidadãos e suas comunidades e demonstra, com números quantitativos poderosos, a importância e o impacto que a música tem na cidade que nunca dorme. À medida que a indústria da música continua a evoluir, é fundamental que a Cidade compreenda seu impacto, quantifique suas contribuições e avalie os desafios e as oportunidades futuras. Com a música agora formalmente em seu portfólio, estamos felizes em ver o MOME fornecendo um ponto de entrada muito necessário para a indústria se envolver com o nosso governo local." - Justin Kalifowitz, CEO da Downtown Music Publishing, co-fundador da "NY is Music"

"Estou tão feliz que o MOME finalmente tenha a música no seu portfolio. Desde que existe o negócio da música, Nova York tem estado no seu centro. É uma grande notícia que finalmente uma administração reconheça os empregos e a cultura que esse negócio gera. É um negócio grande e muito apreciado." - Danny Goldberg, presidente da Gold Village Entertainment.

"Como parte do vibrante ecossistema das artes em NYC, o negócio da música é vital a nossa economia e nossa cultura " É fantástico que a Prefeitura tenha encomendado este estudo para que possamos agora identificar os US$ 21 bilhões que a música gera para a economia da nossa cidade!" - Matthew Siegel, Diretor Digital da Roc Nation

Tradução e adaptação pelo Observatório da Cultura do texto original em inglês na página do Mayor's Office of Media and Entertainment, publicado em 8/3/2017.


Trump Propõe a Extinção dos Fundos para as Artes e Humanidades

O Presidente dos EUA Lyndon Johnson assinando a Lei das Artes e Humanidades,
que criou o NEA e o NEH, em 29/9/1965. (reprodução da página do NEA) 
Adaptação da matéria original em inglês por Sopan Deb, publicada no The New York Times em 15 de março.

Um grande temor tornou-se realidade para muitos artistas, museus e organizações culturais em todo o país na manhã da última quinta-feira, quando o Presidente Trump, em seu primeiro Projeto de Orçamento, propôs a eliminação do National Endowment for the Arts e do National Endowment for the Humanities. O presidente Trump também propôs o desmantelamento da Empresa de Radiodifusão Pública (CPB), uma importante fonte de receitas para o Sistema de Radiodifusão Público (PBS), e estações de Rádio Pública Nacional (NPR), bem como o Centro Internacional Woodrow Wilson para Pesquisadores.
É a primeira vez que um presidente pede o fim dessas agências, criadas em 1965. O ato de sua criação, assinado pelo Presidente Lyndon Johnson, diz que qualquer "civilização avançada" deve valorizar plenamente as artes, as humanidades e a atividade cultural. Embora a soma dos orçamentos anuais de ambos os fundos - cerca de US$ 300 milhões - sejam uma fração minúscula do total de US $ 1,1 trilhão de gastos federais discricionários, os subsídios dessas agências têm sido profundamente valorizados em termos financeiros por décadas, constituindo honrarias cobiçadas por artistas, músicos, escritores e pesquisadores.
Nada mudará para os fundos ou outras agências imediatamente. É o Congresso que decide sobre o orçamento federal, não o Presidente, e os planos de orçamento da Casa Branca são em grande parte documentos políticos que transmitem as prioridades de um presidente. No entanto, nunca antes os Republicanos - que já propuseram eliminar os fundos antes - estiveram em condições tão favoráveis para fechar as agências, dado o controle das duas casas do Congresso e da Casa Branca e, agora, o novo plano orçamentário do Presidente. Os funcionários do governo Reagan, por exemplo, tentaram fazer cortes nos fundos, mas enfrentaram uma maioria Democrática na Câmara (bem como os amigos Reagan em Hollywood, favoráveis aos fundos). No presente, não está claro se os Republicanos favoráveis aos fundos irão lutar contra o Presidente do seu próprio partido. Trump apresentou sua proposta, apesar de sua própria filha Ivanka ser uma apoiadora das artes de longa data, e Karen Pence, esposa do vice-presidente Mike Pence, ter sido uma firme defensora da arteterapia por anos, sendo ela própria uma pintora.
Líderes dos fundos - que, como funcionários federais, não podem fazer lobby na Casa Branca ou no Congresso - expressaram desapontamento por ser o próprio Poder Executivo a propor sua extinção.
"Estamos muito tristes com esta proposta, pois o NEH tem feito contribuições significativas para o bem público", disse William D. Adams, presidente do Fundo de Humanidades, em um comunicado. Adams fez questão de apontar o apoio financeiro para o trabalho preservacionista no Kentucky, o estado de origem do líder da maioria Republicana no Senado, Mitch McConnell, e para o trabalho teatral de veteranos das guerras no Iraque e no Afeganistão - uma clara abertura aos Republicanos para lembrar que as doações não favorecem apenas as elites liberais.
Em uma reunião na quarta-feira, a presidente do NEA, Jane Chu, deu a notícia à equipe e disse que seguiriam trabalhando como de costume, durante o processo de elaboração do orçamento no Congresso. Chu disse que convocou a reunião porque não queria que o pessoal soubesse da proposta através da imprensa. Os funcionários reagiram de forma profissional, com uma mistura de tristeza e surpresa, mas nenhuma raiva visível, segundo um deles. Instruções foram dadas ao pessoal para lidar com telefonemas de destinatários de doações, preocupados com o seu dinheiro e o destino das agências.
Grupos artísticos já iniciaram uma furiosa campanha de lobby para pressionar os Republicanos no Congresso a fim de salvar os fundos. A Associação de Diretores de Museus de Arte emitiu uma das primeiras declarações denunciando o plano do Presidente e exortando o Congresso a salvar as agências. Brian Ferriso, presidente da Associação, afirmou: "Estou esperançoso que o Congresso vai pensar melhor e dizer: - Ei, espere um segundo. Precisamos desses elementos culturais para nossa sociedade".
Alexandra Nicholis Coon, Diretora-Executiva do Museu Massillon em Ohio, disse que sua equipe conta com o subsídio do NEH para um projeto de gravação de histórias, digitalização de cartas e registro fotográfico dos uniformes de soldados americanos que morreram na Primeira Guerra Mundial. Ela classificou a oposição de Trump aos fundos como "míope". "É desanimador saber que nosso presidente e a administração valorizam tão pouco a memória da comunidade e a preservação da história americana", disse Coon, cujo museu está em Stark County, onde Trump derrotou Hillary Clinton nas eleições de novembro.
Enquanto alguns Republicanos têm expressado apoio às agências, o orçamento para as artes em particular tem sido um alvo dos conservadores por décadas. Depois de batalhas políticas sobre os subsídios no final dos anos 1980 e 1990, ambas agências criaram programas e concederam subsídios a mais artistas e acadêmicos em regiões politicamente conservadoras do país. No entanto, o dinheiro seguiu fluindo fortemente para estados e cidades de tendência liberal: os grupos artísticos de Nova York são os maiores destinatários do subsídio federal às artes. Alguns defensores do subsídio às artes (que distribui muito menos dinheiro em termos percentuais do que muitos outros governos em todo o mundo) dizem que sua importância é menor em termos financeiros do que pela mensagem que transmite sobre a importância da cultura para os EUA.
O PEN America, uma associação de profissionais na área literária, tem distribuído uma petição, num esforço para salvar as agências, que já acumulou 200 mil assinaturas, incluindo nomes proeminentes como Salman Rushdie e Margaret Atwood. Como disse Teresa Eyring, do Theatre Communications Group, chegou a hora de "modo agir". "Este é o começo de um longo caminho", disse Eyring, Diretora-Executiva do grupo, que representa mais de 500 teatros sem fins lucrativos em todo o país. "Agora os defensores e as pessoas da comunidade artística se comunicarão com seus legisladores e realmente tentarão deixar claro o valor desse investimento, relativamente modesto, mas muito importante em nosso país através das artes".

Nova pesquisa mostra como as artes e a cultura melhoram a saúde, a segurança e o bem-estar

Foto: Fernanda Hespanhol (Banco de Imagens PMPA)

Um novo estudo mostra como as artes e a cultura melhoram a saúde, a segurança e o bem-estar nos bairros menos prósperos da cidade de Nova York

Residentes de baixa e moderada renda em bairros de Nova York com muitos recursos culturais são mais saudáveis, melhor educados e mais seguros do que aqueles em comunidades semelhantes com menos recursos criativos, de acordo com um estudo inovador da Escola de Política e Prática Social da Universidade da Pensilvânia. Os resultados se mantém em todos os cinco distritos da cidade.
O Projeto Impacto Social das Artes (SIAP) examinou o "ecossistema cultural de vizinhança" (por exemplo, ONGs e empresas criativas, locais de entretenimento, jornais de bairro, livrarias, artistas, etc.) que fazem de New York a capital cultural do mundo. Enquanto muitos estudos tem analisado o impacto econômico das artes, esta pesquisa procurou documentar como elas melhoram a qualidade de vida dos nova-iorquinos comuns. O estudo foi financiado pelo NYC Cultural Agenda Fund do The New York Community Trust e Fundação Surdna.
"Esta pesquisa confirma e se baseia no que temos visto vimos sobre o poder da arte para moldar comunidades e melhorar vidas", disse Kerry McCarthy, diretor do The Trust. "Nossas subvenções aumentam a oferta de artes nos bairros que mais precisam, por isso estamos felizes em usar as descobertas (da pesquisa) para aperfeiçoar esta estratégia".
Segundo o relatório, a cultura não atua sozinha, mas é um ingrediente que torna os bairros mais fortes. Os resultados serão utilizados pelas fundações Trust e Surdna na concessão de subvenções e pelo Departamento de Assuntos Culturais da Cidade, como subsídio a um plano cultural para a cidade ainda este ano.

Destaques da Pesquisa

Nos bairros de baixa renda, os recursos culturais estão "significativamente" ligados a uma melhor saúde, escolaridade e segurança. A pesquisa, que foi estratificada conforme situação econômica, raça e etnia, constatou que a presença de recursos culturais está associada com:

  • Uma redução de 14% nos casos de abuso e negligência de crianças;
  • Uma redução de 5% na obesidade;
  • Um aumento de 18% nas crianças com pontuação no estrato superior em exames de inglês e matemática;
  • Uma redução de 18% na taxa de criminalidade grave.

Os recursos culturais, como tudo o mais, estão distribuídos de forma desigual pela cidade. Os bairros mais prósperos de Manhattan e do oeste do Brooklyn têm concentrações extremamente elevadas de organizações sem fins lucrativos, empresas culturais, artistas, etc., enquanto vastas áreas dos outros bairros têm muito poucos recursos culturais.
"Ir a um museu não vai fazer você perder peso ou reduzir suas chances de ser assaltado, mas as comunidades com recursos culturais estão melhor", disse Mark Stern, pesquisador-chefe do projeto e professor de Bem-Estar Social e História. "Nossa pesquisa demonstrou claramente que áreas da cidade vão bem em diversos aspectos do bem-estar, apesar dos desafios econômicos significativos."
O relatório fornece dados sobre ativos culturais para centenas de bairros, com um olhar mais detalhado nos bairros East Harlem (Manhattan) e Fort Greene / Clinton Hill (Brooklyn).
O New York Community Trust está atualmente apoiando os esforços do Brooklyn Arts Council para coordenar as coalizões culturais em Brownsville, Bushwick e East New York, e o trabalho da Corporação de Desenvolvimento da Grande Jamaica para construir coalizões culturais no Bairro Jamaica, no sul do Bronx, no leste de Brooklyn e no alto Manhattan. Outros financiadores também são inspirados pelas descobertas do relatório.
"Esta pesquisa sublinha o papel crítico que as artes e a cultura desempenham na construção de comunidades equitativas e vibrantes. Os dados fundamentais nesta pesquisa oferecem informações valiosas que irão informar nosso programa Thriving Culture ["Cultura Florescente"] à medida que buscamos alcançar a justiça social e a sustentabilidade da comunidade ", disse Judilee Reed, diretora da Surdna Foundation.
"Os resultados deste estudo provam o que temos observado empiricamente durante décadas: as artes melhoram vidas. Elas se baseiam em nossas qualidades mais fundamentalmente humanas, como criatividade, descobertas e comunidade. Vemos isto aqui e também na variada programação artística do Museu de Arte Africano Contemporânea Diáspora (MoCada), em escolas, parques e habitação pública em todo o Brooklyn Central ", disse James Bartlett, diretor executivo do MoCADA.
"De experiências pessoais com obras de arte, ao desenvolvimento econômico regional - não importa como você olhe para ele, arte e cultura têm um efeito transformador em nossas comunidades", disse o Comissário de Assuntos Culturais [da Cidade de Nova York] Tom Finkelpearl. "Agora, o relatório pioneiro do SIAP nos traz uma maior compreensão de como esses benefícios se desenvolvem em nível de bairro. Esta notável pesquisa torna mais claro do que nunca: o acesso à cultura é uma característica definidora de uma comunidade saudável. À medida que continuarmos a desenvolver o plano cultural CreateNYC, usaremos essas descobertas para melhor apreciar e defender o papel que a arte e a cultura desempenham em todos os cinco distritos".

Sobre o estudo

A compreensão do valor social das artes tem sido o objetivo do projeto Cultura e Bem-Estar Social em Nova York. Foi realizado pelo Social Impact of the Arts Project (SIAP) da Escola de Política e Prática Social da Universidade da Pensilvânia, juntamente com o Fundo de Reinvestimento, uma instituição financeira de desenvolvimento comunitário, com sede na Filadélfia. Ao longo das últimas décadas, especialistas deram especial atenção aos benefícios econômicos das artes e da cultura para as cidades. A maioria desses estudos focaliza o papel de grandes equipamentos - como museus e centros de artes cênicas - em tornar uma cidade atraente para os visitantes ou "criativos" universitários. Este estudo analisa o papel das artes para a melhoria da vida dos residentes comuns, especialmente aqueles que vivem em bairros de renda moderada e baixa. A pesquisa foi conduzida de 2014 a 2016.

Sobre o Fundo para a Agenda Cultural de NY, do The New York Community Trust

Fundado em 2014, o Fundo é uma parceria de sete financiadores que visa fortalecer a rede de advocacia pelas artes na cidade e promover políticas culturais e equidade. Seus doadores incluem a Fundação Booth Ferris, a Fundação Lambent, a Fundação Stavros Niarchos, a Fundação Robert Rauschenberg, o Rockefeller Brothers Fund eo Fundo David Rockefeller. As atividades do Fundo incluem a concessão de subsídios para fortalecer a rede de advocacia das artes e polinização cruzada dos esforços relacionados às políticas; assistência técnica para o setor como um todo; e briefings para analisar pesquisas atuais e tendências em artes e cultura e incentivar a aplicação prática dos resultados. O New York Community Trust está empenhado em promover vidas saudáveis, futuros promissores e comunidades prósperas para todos os nova-iorquinos. É a fundação da comunidade para New York City, Westchester, e Long Island.

Acesse aqui o estudo completo (em inglês) The Social Wellbeing of New York City's Neighborhoods: The Contribution of Culture and the Arts
Leia o resumo da pesquisa. (em inglês)
Texto traduzido do original em inglês na página da Universidade de Pennsylvania.

Ouvir música pode melhorar as atitudes inconscientes em relação a outras culturas

Foto: Joel Vargas (PMPA)
Ouvir cinco minutos de música pop da Índia ou da África Ocidental pode levar o ouvinte a atitudes mais positivas em relação a essas culturas, foi o que concluiu uma pesquisa das universidades de Oxford e Exeter.

Outras pesquisas já haviam demonstrado que fazer música pode fomentar as relações e a cooperação entre os participantes, mas este novo estudo mostra que simplesmente ouvir música pode melhorar as atitudes inconscientes de alguém em relação a outros grupos culturais.

Os psicólogos musicais Professor Eric Clarke e Dra. Jonna Vuoskoski, da Universidade de Oxford, e a socióloga da música Professora Tia DeNora, da Universidade de Exeter, usaram um método chamado Teste de Associação Implícita para medir a mudança no viés cultural inconsciente dos ouvintes depois de ouvir uma única faixa de música pop da Índia ou da África Ocidental.

Eles descobriram uma mudança nos sentimentos positivos em relação à cultura-alvo - embora nem todos os ouvintes fossem igualmente afetados pela música: as pessoas com personalidade empática eram mais suscetíveis aos efeitos da música, enquanto aqueles com baixa empatia permaneciam inalterados.

"A música desempenha toda uma gama de funções psicológicas e sociais, aproximando as pessoas de formas poderosas e moldando as emoções e os comportamentos das pessoas", disse o professor Eric Clarke, da Faculdade de Música da Universidade de Oxford.

"E é importante reconhecer que a música também pode ser muito divisiva. Mas em um momento de crescente nacionalismo e isolacionismo, os resultados do nosso estudo fornecem provas encorajadoras sobre a capacidade da música para aumentar a compreensão cultural.

"A música não é uma 'bala mágica' que supera automaticamente as barreiras e aproxima as pessoas; um certo grau de abertura e empatia também é necessário ", acrescentou a Dra. Jonna Vuoskoski.

A pesquisa foi financiada pelo Arts and Humanities Research Council e publicado na revista Psychology of Music.

Tradução do conteúdo original em inglês publicado na página da Universidade de Oxford.

Orquestras e museus do Reino Unido buscam responder às dificuldades econômicas

Enquanto o número de visitantes de museus caiu pela primeira vez em uma década, orquestras não conseguem aumentar sua receita, mesmo com maior público e número de atividades.

O blog do Observatório volta a reproduzir conteúdos traduzidos do site Arts Professionals, dedicado ao contexto das artes e da gestão cultural no Reino Unido, sede de instituições culturais conhecidas mundialmente pela sua excelência. Duas matérias de Liz Hill, publicadas no mês passado, abordam as dificuldades que atravessam os setores de museus e orquestras, e os caminhos para superá-las. Leitura útil também deste lado do Atlântico, onde a crise já deixa marcas na cultura.
Contrariando a tendência, British Museum atingiu seu
recorde de público.

Embora as visitas de cidadãos britânicos a museus tenham se mantido estáveis, o número de visitantes estrangeiros caiu, apesar do incremento geral do turismo.

O número de visitantes de museus e galerias patrocinados pelo Department of Culture, Media and Sports (DCMS) caiu pela primeira vez em quase uma década, conforme novos dados publicados. 47,6 milhões de visitas foram feitas aos 15 museus em 2015/16 - 1,4 milhões a menos do que no período anterior.
O declínio de 2,8% é quase totalmente atribuível a uma queda nos visitantes estrangeiros, apesar de um aumento geral no número de turistas que visitam o Reino Unido (RU). Os visitantes estrangeiros representam agora 47% de todos os visitantes dos museus patrocinados, enquanto representaram 49% no ano anterior. Nove dos 15 museus e galerias viram seu número de visitantes estrangeiros cair, incluindo a Tate Galleries (622.000 a menos), o Victoria and Albert (412.000 a menos) e a National Gallery (menos 254.000).
Em contraste, o Museu Britânico, o mais popular da Inglaterra, viu seu número de visitantes ultramarinos crescer em 117 mil - o maior crescimento de todos os museus - alcançando a maior visitação de todos os tempos - 6,9 ​​milhões - com participação de 64% de visitantes internacionais.
A popularidade declinante dos museus entre visitantes ultramarinos vai na contramão da popularidade das visitas ao RU como um todo. Os números oficiais mostram que as visitas ao RU por residentes no exterior cresceram pelo quinto ano consecutivo em 2015 e foram 5,1% superiores ao ano anterior. O número de feriados para o RU também atingiu um recorde histórico, e as visitas a Londres cresceram mais rapidamente do que em qualquer outro lugar do país, mostrando um aumento de 6,8% em relação ao ano anterior.

Educação e empréstimos em declínio

As visitas a museus por crianças de 15 anos ou menos (de qualquer nacionalidade) também têm registrado declínio. 7,9 milhões de visitas foram feitas aos museus patrocinados em 2015/16, uma queda de 1,8% em relação ao ano anterior. Os Museus Nacionais de Liverpool registraram 459.000 visitas de crianças, mais do que a Tate (443.000) e a National Gallery (391.000), as quais tiveram uma queda no número de visitantes nesta faixa etária de mais de 100.000.
Além disso, houve um declínio de 6,9% no número de pessoas com menos de 18 anos que participaram de atividades educacionais e eventos no local. As visitas facilitadas e auto-dirigidas por menores de 18 anos e na educação formal diminuíram 3,1%. A Tate esteve entre os museus mais bem sucedidos em atrair este grupo, com 58.000 visitantes mais do que o ano precedente.
O número de instituições, organizações, instalações de exposição e pesquisadores que emprestaram itens de do acervo dos museus patrocinados pelo DCMS caiu 7,1%. Em 2015/16, havia 1.379 locais de empréstimo britânicos, comparados com 1.484 o ano precedente. A Tate, a National Gallery e a National Portrait Gallery viram um declínio no número de seus locais de empréstimo.

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No Brasil, a OSESP anunciou que em 2017 terá orçamento 27% menor do que o de 2016,
para projetos artísticos. (imagem: Alessandra Fratus/Divulgação-UOL)

Associação das Orquestras Britânicas: "As orquestras não podem continuar fazendo mais por menos". As estratégias bem-sucedidas de desenvolvimento do público não levaram a um aumento do rendimento do trabalho e o financiamento público deve ser restaurado, concluiu um novo relatório.

Um aumento do público e do envolvimento com as orquestras da Grã-Bretanha tem sido alimentado por iniciativas de preços como ingressos com desconto, concertos gratuitos e apresentações a preços fixos em eventos ao ar livre, de acordo com um novo relatório da Associação de Orquestras Britânicas (ABO).
Essas estratégias deixaram as orquestras "sofrendo um duplo golpe de reduções no ingresso de receitas próprias , assim como cortes no financiamento dos governos nacional e local", conclui.
"A mensagem é simples. As orquestras não podem continuar fazendo mais por menos ", advertiu Mark Pemberton, diretor da ABO. Ele pede que o financiamento público seja restaurado.
O relatório, The State of Britain's Orchestras in 2016, é baseado em pesquisas entre membros da ABO e revela como as orquestras têm respondido aos desafios apresentados por um ambiente de financiamento reduzido. Ele documenta as mudanças nas atividades e realizações de mais de 30 organizações que participaram de pesquisas semelhantes em 2013.

Os números

O número total de concertos e performances realizados por estas organizações aumentou 7% entre 2013 e 2016, e o público cresceu 3%. Os programas de extensão para crianças e jovens registaram um aumento de 35% na participação. Houve, no entanto, uma pequena diminuição nas atividades de gravação em geral.
Apesar do crescimento do desempenho, o rendimento total do grupo estudado diminuiu 5%, com rendimentos próprios, doações e financiamento público, todos apresentando redução. A renda própria continua a representar 48% do total, enquanto a proporção de financiamento público caiu em um ponto percentual, para 34%.

Restaurar financiamento

Mark Pemberton diz: "As orquestras têm inovado para alcançar maiores audiências e envolver mais jovens, e devem se orgulhar desses sucessos. No entanto, a pesquisa mascara uma realidade maior. Essas audiências maiores não trazem mais dinheiro e, conforme o caso, aumentam as perdas".
E continua: "O governo implementou este ano um mecanismo de isenção fiscal para orquestra (Orchestra Tax Relief), e isso compensará alguns dos cortes nos fundos públicos impostos desde 2010 - mas está longe de ser o suficiente. Precisamos que o governo nacional e, mais crucialmente, os governos locais restabeleçam o financiamento mais próximo dos níveis pré-austeridade para permitir que nossos membros continuem entregando grande música para o público mais amplo possível ".

Link para matéria original, em inglês.

Orçamento da SMC para 2017 (continuação)

Damos sequência aos comentários sobre o orçamento da SMC aprovado para 2017, iniciados na postagem anterior.

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Dos R$ 65,417 milhões previstos, R$ 15,943 milhões são de investimentos, discriminados na tabela abaixo. O elevado percentual de investimentos (24,4%) deve-se principalmente aos recursos para a remodelação da Usina do Gasômetro, oriundos de financiamento externo - R$ 10,36 milhões, que representam 2/3 de todo o investimento. Em média, o percentual de investimento da SMC ficou em 10,5% entre 2010 e 2016, conforme o Portal de Transparência.

Descontado o valor destinado aos investimentos, restam R$ 49,6 milhões a serem gastos na Função Cultura, dos quais praticamente a metade (R$ 24,4 milhões) são reservados para despesas administrativas (pessoal, contas de água, luz e telefone, etc.) da SMC.

Os recursos para o patrimônio cultural (sub-função "Patrimônio Histórico, Artístico e Arqueológico") representam R$ 4,7 milhões, ou 7,26% do total previsto para a Cultura, ou 0,068% do orçamento municipal. Este último percentual é mais que o dobro da média empenhada pelo município ao longo da década 2004-2014 nessa sub-função, que é de 0,031%. (Nesse post de 2014 publicamos uma análise comparativa dos orçamentos de cultura das capitais, com dados do Tesouro Nacional.)

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Já a ação de Descentralização da Cultura tem recursos previstos em R$ 2,306 milhões, para a realização de 161 demandas registradas no Plano de Investimentos do Orçamento Participativo, sendo a maioria de oficinas.

Post editado em 6/1/2017.

Porto Alegre e o Orçamento da Cultura para 2017

Vereadores debatendo o Projeto de Lei. (Foto: Josiele Silva/CMPA)
Após aprovada pela Câmara e sancionada pelo Prefeito, foi publicada a Lei Orçamentária Anual (LOA) de Porto Alegre para 2017, que analisamos brevemente aqui, no que se refere à Secretaria Municipal da Cultura.

O valor previsto para a SMC é de R$ 65,417 milhões, correspondente a 0,94% do total da despesa da Prefeitura (R$ 6,949 bilhões). Esse percentual indica aumento em relação à LOA do ano passado, que previu 0,8% - menor percentual da história da SMC, criada em 1988. Mesmo assim, ainda é o quarto menor da história, só superando os percentuais para 2012 e 2013, além de 2016, já citado. O percentual médio no período é de 1,26%. Apesar disso, o percentual real do orçamento, isto é, considerando os valores efetivamente empenhados ao final do ano, vem crescendo desde 2013, tendo chegado a 1,28% até o final de novembro de 2016, percentual muito superior ao de 0,8% previsto para aquele ano.

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Fumproarte

Após dois anos sucessivos de crescimento (em termos percentuais), os recursos para o Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural (Fumproarte) sofreram nova queda de 2016 para 2017, atingindo o menor valor percentual da história, 1,93% do orçamento da SMC (0,018% da Prefeitura). Para comparação, a média histórica é de 6,9% da SMC, tendo superado os 10% nos anos de 1995/96. Este último percentual foi estabelecido como referência, através da Meta 16 do Plano Municipal de Cultura, pela X Conferência Municipal de Cultura (2015). Em comparação com o total do orçamento municipal, o Fumproarte representa, na LOA de 2017, a décima parte do que representava em 1995 (0,184%). A média do período ficou em 0,085%. Nominalmente, o valor de R$ 1.264 milhão é o menor desde 2003.

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Equipamentos

Por outro lado, os recursos destinados à manutenção física e reformas da SMC (na rubrica/ação "Qualificação e Ampliação da Rede de Equipamentos Culturais") seguem tendência de recuperação, iniciada em 2014, atingindo este ano o maior percentual da série histórica, de 3,3% (com dados disponíveis a partir de 2006). O valor nominal, de R$ 2,15 milhão, é 70% superior ao do ano passado. Contudo, a maior parte desses recursos tem duas finalidades definidas: a construção do Centro Cultural Terreira da Tribo (R$ 1,35 milhão) e a recuperação do Teatro de Câmara Túlio Piva (R$ 500 mil), restando R$ 300 mil para os demais equipamentos da SMC.

Post editado em 6/1/2016.